E cada um de nós, obviamente, manifestará com características bem individuais o reconhecimento às chefias pela possibilidade de desempenho bem sucedido de nossas funções para merecermos indicações para esta honrosa homenagem. Sem chefias honestas, envolvidas com o processo da administração, torna-se frustrante e impeditivo o desempenho da atividade de qualquer servidor. Desejamos a cada uma dessas chefias que possa continuar alcançando desempenho vitorioso em seus setores. Em nome de todas as chefias, agradeço a Demetrius Ferreira e Cruz e a José Messias de Souza a proposição de meu nome para esta homenagem e, sobretudo, a credibilidade em meu trabalho.
É quase impossível — assim numa fala rápida — condensar o sentimento que cada um dos homenageados sente, e que desejaria ver externado neste momento. Pois, certamente, cada um expressaria de forma mais eloquente e com colorido mais convincente as suas experiências, afetos, as suas crenças e esperanças construídas no convívio do trabalho, da família e da comunidade.
Portanto, lembro que neste instante eu falo com as minhas experiências, em nome de todos, esperando que as minhas palavras possam corresponder pelo menos em parte ao que cada um desejava e imaginava dizer neste momento.
Se desde a minha infância convivo com a poesia, socorro-me de um poema de Bertolt Brecht para ilustrar estas minhas palavras. Trata-se de poema do tempo de muitos que hoje estão aqui sendo homenageados, pois condensa os ideais dos anos 70 e 80. Ele deve ter passado pela cartilha da maioria da geração desse período — agora às portas da aposentadoria —, que viveu e participou de momentos de crenças sociais igualitárias, que trabalhou muitas vezes com movimentos militares espreitando a porta da consciência e povoando a paisagem da janela do trabalho.
Já que é rara a possibilidade de as novas gerações conhecerem este poema, não só pela indiferença da atual juventude para com as questões sociais, mas também pelo desprezo pelos valores culturais, é importante a sua leitura para nossos filhos e netos aqui presentes. Trata-se de poema que põe em relevo a importância do trabalho de todo homem na face Terra.
PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ
Quem construiu a Tebas das sete portas?
Nos livros estão os nomes dos reis.
Foram os reis que arrastaram os blocos de pedra?
E a Babilônia várias vezes destruída –
Quem a reconstruiu outras tantas vezes? Em que casas
Da Lima refulgente de ouro moraram os construtores?
Para onde foram os alvanéis na noite em que
A Muralha da China ficou pronta? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os levantou? Sobre quem
Triunfaram os Césares? Tinha a celebrada Bizâncio
Só palácios para os seus habitantes? Mesmo na lendária Atlântida,
Na noite em que o mar a engolia, gritavam
Os afogados pelos seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses.
Não teria consigo um cozinheiro ao menos?
Filipe de Espanha chorou, quando a Armada
Se afundou. Não chorou mais ninguém?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos. Quem
Venceu além dele?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhou o banquete da vitória?
A cada década um Grande Homem.
Quem pagou as despesas?
Tantos relatos.
Tantas questões.
Esta é a palavra do Brechet teatrólogo, do Brechet poeta e humanista, que nos diz com esse poema: o homem não trabalha só afirmação de sua existência, mas que a existência do homem se afirma com a obra que ele ajuda a construir para orgulho e benefício da humanidade.
E eu retomo a minha humilde palavra para dizer a cada filho, cada neto, bisneto, que, no futuro — se não encontrar o nome de um dos ascendentes entre os grandes construtores e heróis — poderá dizer: no entanto, ele estava lá. Ele participou com a sua crença e com a sua descrença. Ajudou, com pequenas, mas necessárias, tarefas cotidianas, a construir determinado momento histórico desse País, seja fazendo cópia, entregando documento, ou elaborando algum arcabouço da legislação que contribuiu para o País entrar em novas fases de crescimento. Até mesmo aquele funcionário que era chamado para mudar a divisória de lugar sempre que tomava posse uma nova equipe econômica. O descendente daquele funcionário poderá dizer: ele a mudou tantas vezes de lugar, até o desgaste da rosca daquela divisória, que contribuiu para o País encontrar o encaixe justo para novas fases de sua história. Este é o trabalhador — ou servidor, como no caso da Administração Pública — que cumpre meritoriamente as suas missões, ainda que as tarefas sejam repetitivas como a de Sísifo, mas que, no fim, terminam imprimindo resultados maiores do que aparentemente apresentavam no cotidiano em que eram executadas.
Cada descendente — neto, filho, ou aderente que se encontre em outra região do País — irá reconhecer que o seu herói, por mais anônimo que tenha sido, não ajudou só com o vencimento na construção de uma família — mas era um braço, uma idéia, uma consciência, não só para a sua família e a sua comunidade, mas para ajudar a Administração dos governos de que participou no decorrer destes muitos anos de trabalho.
Cabe à descendência de todos nós — esperamos que com maior eficiência, e consciência ainda mais esplêndida e destemida —, seja na administração pública ou em atividades da vida privada, alcançar resultados ainda mais gloriosos. E os mais novos, aqui homenageados, já antecipam a sua participação na melhoria da feição de nossa nacionalidade. Quanto àqueles que daqui a pouco vão requerer a aposentadoria, podem até estar sendo visitados ou rondados pela velhice, mas este país é novo — Roma e Grécia tem mais de 2 mil, o Egito mais de 5 mil —, portanto, este país novo precisa de juventude com conhecimento, de juventude que preze, reconheça e não fuja de seus compromissos. Se a juventude entende que a Nação não está construída, este entendimento torna maior o desafio para ela. Não podemos mais viver uma totalitária pregação sobre o Brasil no sentido de “ame ou deixe-o”, mas precisamos de uma pregação otimista com o futuro no sentido de “ame-o ou ame-o”, pois a fuga não constrói nenhuma nacionalidade. A fuga só fomenta o ressentimento.
Que os trabalhadores do futuro — e entre eles se encontrará a juventude de nossos filhos e netos — possam dizer como os servidores deste momento: não fomos os expatriados ressentidos, pois participamos e ainda construímos aquilo que acreditamos — uma Nação em que a riqueza sirva a todos, afinal, de uma Nação de alegre e viva liberdade.












